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Companhia BricBrac

Formas animadas

7 months ago

Cavalo Mágico

Cavalo Mágico

Espetáculo em parceria com a escola de Equoterapia da Cavalaria da Policia Militar do Pará que trabalha com reabilitação motora usando cavalos como técnica terapeutica.

8 months ago

Show Itinerante de Bonecos(2013)

Show Itinerante de Bonecos(2013)

Financiado através da lei Semear este projeto tinha como meta a democratização da cultura através do teatro de marionetes(bonecos de fio). O projeto consistia de uma série de apresentações em comunidades carentes de Belem e municipios do Estado Pará como Abaetetuba e Curuçá. As apresentações ocorriam em caminhão palco em praças, associações e comunidades.

8 months ago

MEBEMOKRÉ- Sob a sombra Kayapó

MEBEMOKRÉ- Sob a sombra Kayapó

 

Um espetáculo de sombra chinesa

O teatro de sombra é uma arte milenar de sofisticado senso estético. Nos últimos anos tem crescido sua importância como percussora de outras artes como o próprio teatro e o cinema, ao ponto da Unesco tombar como patrimônio da humanidade o Teatro de Sombras Chinesa e o Teatro de Sombras da Indonésia.

No Oriente onde foi originalmente criado o teatro de sombra é sagrado e sempre se apresentava em estilo cerimonial possuindo profundo sentido religioso e ritualístico. Suas peças geralmente eram narrativas histórias ou épicas de deuses e heróis.

O teatro de sombra chinesa exige longa pratica e enorme habilidade. No Brasil são pouquíssimos profissionais que o praticam, daí a necessidade de trazer ao publico de nossa região esta arte que é tão antiga quanto desconhecida.

O Instituto de Artes do Pará (IAP), percebendo a relevância deste projeto o contemplou no Edital de Bolsas de Pesquisa 2013, o que nos possibilitou pesquisar e realizar durante um ano, a ideia deste espetáculo.

 

O Espetáculo

Logo no inicio surgiu o desejo de unir essa antiga tradição narrativa, a um tema da nossa região.

As sociedades indígenas são os últimos vestígios de uma cultura genuinamente brasileira, sem a influência africana e/ou portuguesa, e nós paraenses temos o privilegio de possuir diversas etnias dentro das fronteiras de nosso estado.

Mas uma etnia indígena em particular nos chamou a atenção devido a sua riqueza imagética e oral: os Kayapó, um povo de língua Jê do sul do Pará.

Sua rica pintura corporal, seus adornos, e suas narrativas orais nos cativaram.

 A proposta do espetáculo foi unir as características estéticas e narrativas do teatro de sombras chinesa a essas magníficas lendas orais dos  Kayapó e propor um dialogo entre essas duas categorias de arte, realizando assim dois intentos: experimentar o teatro de sombra e suas características, e divulgar a cultura dos índios Kayapó e seus mitos.

Este projeto vem levantar o tema da importância do registro de lendas indígenas para a cultura amazônica como um todo, assim como a inovação de transpor essa lenda para o teatro de sombras.

Entre os Kayapó existem diversa lendas orais de incrível inventividade e conteúdo narrativo. Histórias épicas de deuses e monstros, guerras e disputas ocorridas num passado longínquo.

Optamos por duas lendas, a primeira chamava-se “Bepgorórotí, o homem que virou chuvae a segunda denominava-se A Águia Gigante”.

 

Bepgorórotí, o homem que virou chuva

Bepgoróroti é tido entre os Kayapó como de enorme importância por ter sido ele o criador das pinturas corporais, do corte de cabelo Kayapó e das armas de guerra.

Segundo a lenda, no inicio dos tempos, Bepgorórotí, após ter sido traído por seus iguais, teria nutrido desejos de vingança e uma necessidade de se diferenciar dos outros Kayapó, que passou a considerar indignos. Ele então cria um novo modo de ser e vestir, além do desenvolvimento de poderes sobrenaturais como o controle do trovão e da chuva. A história com tons Wagnerianos tem um desfecho épico e surpreendente quando Bepgorórotí poe em pratica seu terrível plano de vingança.

A Águia Gigante

Uma tribo Kayapó está senso assolada por um terrível mal: Um pássaro gigante comedor de homens. Um casal temendo pelo futuro dos dois filhos elabora um modo de escondê-los para não serem mortos, e os coloca dentro das águas de um rio encantado. Á medida que vão crescendo os meninos adquirem uma estatura acima do normal, e ao se tornarem adultos tornam-se gigantes. Então, imbuídos de um espírito de justiça por todos os Kayapó mortos eles saem à caça do pássaro assassino para travar uma ultima batalha de vida e morte contra o monstro.

3 years ago

PROJETO ITINERANTE DE BONECOS

PROJETO ITINERANTE DE BONECOS

 

A associação Socio-Cultural Bricbrac atuante desde 2007, Tendo como filosofia a arte como transformação social, sentiu a necessidade de idealizar um projeto de circulação como forma de democratizar a cultura e dar acessibilidade ao público de comunidades carentes.

Através da Companhia Teatral de Marionetes Bricbrac e de seus arte educadores,        professores e pedagogos, optou por levar um projeto às escolas públicas que envolvesse apresentações do espetáculo Contos da Floresta, juntamente com ações sócio-educativas.

Então em 2011 fomos aprovados no edital de cultura do Banco da Amazônia(BASA), com o Projeto Teatro Itinerante de Bonecos.

Este projeto se caracteriza por um circuito de apresentações teatrais de bonecos, oficinas, workshops e bate-papos e tem como finalidade democratizar a arte do teatro de bonecos nas escolas públicas.

Ações que foram realizadas:

  1. Oficina: O boneco reciclado como instrumento pedagógico
  2. Apresentação do espetáculo de marionetes Contos da Floresta
  3. Bate-papo sobre o fazer teatral.

Pretendemos com este projeto  a transformação do publico em agente sócio-educativo, ampliar a consciência sócio-ambiental dos participantes a partir da utilização de materiais reciclados, compreensão do lúdico como ferramenta de inclusão em sala de aula, assim também como a utilização do boneco em um instrumento no processo educacional como estimulo a leitura nos alunos. 

Francico Leão - Presidente da Associação Sócio-Cultural Bricbrac(ASCB)

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3 years ago

O Livro da Criação

O Livro da Criação

 

"O Livro da Criação" é o nosso segundo espetáculo, um espetáculo adulto, onde procuramos retratar a natureza de três tipos de arquétipos da humanidade: o criador (pai), a criatura (filho) e o monstro (inconsciente) e a relação que os une.

O criador (DEUS) é o símbolo da geração, ou posse, da dominação. Nesse sentido ele é uma figura inibidora, castradora, nos termos da psicanálise. Ele é uma representação de toda a forma de autoridade: chefe, patrão, professor, protetor. O papel paternal é concebido como desencorajador dos esforços de emancipação, exercendo uma influência que priva e limita, mantém na dependência.

A criatura (ADAM) mesmo sendo feito a imagem e semelhança do seu criador, é diferente dele e dessa diferença derivam as inovações: a consciência, razão, liberdade, a responsabilidade, a autonomia. E é desse desejo de autonomia que surgem as ações de rebeldia e distanciamento do criador como forma de auto-afirmação e busca de identidade.

O monstro (GOLEM), um androide místico, aqui representa a conseqüência dos atos de arrogância do homem, é a materialização das sombras do inconsciente; é o reflexo de um “eu” interior, a libertação de forças irracionais causadas pela falta de regras e limites, mas também simboliza o caos que prenuncia a ordem, a destruição que traz o recomeço.

Infelizmente por estar associado à criança, o teatro de bonecos ainda é considerado uma arte menor, de mero entretenimento, dai a importância de contrapor esse pré-conceito apresentado temas diversos e adultos.

            O TEXTO

             O texto escolhido é resultado da pesquisa de quatro livros: A TORÁ, a bíblia judaica; O TALMUD, e sua versão em hebraico para o livro do gênese ; o SÊFER IETSIRÁ, o livro da criação, e a trilogia  “Conversando Com Deus” de Neale Donald Walsch .O terceiro e o segundo livros tratam sobre as origens da criação do homem e de técnicas meditativas que criariam seres vivos artificiais.

            Mas não poderíamos deixar de citar e agradecer a inestimável contribuição do escritor e professor de cabalá Erwin Von-Rommel, que com suas explanações, permitiu preencher as lacunas existentes tornando este texto mais coeso e consistente.

     

3 years ago

ESPETÁCULO CONTOS DA FLORESTA

ESPETÁCULO CONTOS DA FLORESTA

“Contos da Floresta” é o nosso primeiro espetáculo e traz uma adaptação, para a nossa realidade amazônica, das histórias do fabulista grego Esopo. Escolhemos esse autor a titulo de resgate por ele ser o primeiro a criar o genero literário da fabula, que diferente do conto que relata historias com pessoas, a fabula traz animais, plantas e seres, e o principal: a "liçao de moral" no final da histórias. Na idade média a lição era tão importante que os copistas da época colocavam a lição em vermelho ou dourado.Este autor foi o antecessor de contistas como La  Fonteine e os irmãos Grimm, mas muito pouca importância é dado a ele.

A adaptação retrata Esopo como um imortal que vaga pelo mundo, e em uma de suas viagens chega então a Amazônia, aqui resolve contar algumas de suas histórias. Nessa adaptação à nossa realidade, substituímos, por exemplo, os animais europeus como a raposa, pela mucura, acrescentando ainda os nossos costumes, linguajar, comidas, típicas, etc. Para isso, são reveladas situações cheias de humor e ironia com forte carga edificante, que se encaixam com perfeição aos nossos ideais e ilustra nossa filosofia no que diz respeito à relação do teatro com as crianças.

São retratados conflitos humanos vividos por animais e com apelo à “moral da história”, que possuem um efeito imediato no público infantil e instiga os adultos. As histórias adaptadas são: “O bode e o burro”, “A pele de leão” e “A Cigarra e a Formiga”, que em Contos da Floresta chamam-se:

O Bode Invejoso:

O bode, com inveja da amizade entre o burro Onofre e seu dono, prega uma peça no burro, deixando-o muito doente e com risco de morte. Seu dono, Zé Caroço, que lhe estima muito, chama o médico que receita: “No caso dele, só tem um remédio... chá de pulmão de bode!”. Então, o bode é sacrificado e se torna vítima de sua própria trama.

A Cigarra e a Formiga:

A clássica história de Esopo é contada novamente com a inclusão de elementos paraenses. Enquanto a formiga trabalhava, a cigarra comia e se divertia sem se preocupar com o futuro. Mas, um dia vem o inverno e a cigarra, que foi negligente consigo mesma, morre de frio e fome deixando a formiga com remorso por não ter lhe prestado socorro.

O Couro de Onça:

Cansado de trabalhar na fazenda, o burro foge para a mata e se disfarça de onça para enganar os outros animais. Lá, encontra a mucura que descobre seu disfarce. Por pouco ele não morre nas mãos de um caçador. Arrependido, o burro volta para casa.

 

Francisco Leão - Dir. da companhia BricBrac.

3 years ago

A ORIGEM SECRETA DA LOGO DA COMPANHIA BRICBRAC

A ORIGEM SECRETA DA LOGO DA COMPANHIA BRICBRAC

 

Foi muito difícil escolher um símbolo que representasse a essência da companhia, o espírito que norteia nossas pesquisas e trabalhos. Como temos uma profunda relação com a ritualização e o teatro sacro de bonecos fazia-se necessário escolher um símbolo que reunisse, de uma só vez, a marionete, a sacralidade e o homem.

O homem vetruviano de Leonardo da Vince (imagem), é um símbolo muito conhecido, mas ao mesmo tempo poucos sabem o seu real significado. Para as massas ele é uma representação do homem universal, mas para determinados círculos esotéricos sabe-se que Leonardo não escolheu esse símbolo como mera representação artística. A postura em que se encontra a imagem é usada a milhares de anos, e faz parte de um ritual de proteção contra forças negativas de pessoas e ambientes.

A partir dessa constatação fiz uma adaptação da imagem  transferindo o homem para a marionete, trazendo ao mesmo tempo o significado da anima da marionete e sua representação  como um ser que é controlado por fios, ou por forças superiores , e o homem, que assim como a marionete ao ter seus fios da vida cortados, cae inerte ao chão.

Essa é a essência da Companhia Bricbrac. A marionete é um símbolo de troca e relação, onde um (titereiro) não é melhor que o outro (marionete), mas trata-se em si de uma relação de parceria, onde o criador(Deus) passa a se conhecer através da criatura(homem) numa relação de empatia onde os dois de recriam mutuamente.

“Superior e inferior se regojizam, e os mundos são abençoados.” –  Zohar

Francisco Leão – Encenador, teórico e dir. da Companhia Bricbrac. 

3 years ago

HISTÓRICO DA COMPANHIA BRICBRAC

HISTÓRICO DA COMPANHIA BRICBRAC

 

Companhia Bricbrac

A Associação Socio-Cultural BRICBRAC (ASCB) foi fundada em 2009 por Francisco Leão e Vanessa Teixeira,e tem como diretriz em seu estatuto realizar ações socio-culturais e educacionais.

A Companhia Bricbrac é a única companhia de teatro de bonecos do norte do pais especializada na refinada arte do boneco de fio(marionete). A BRICBRAC, companhia de marionetes, iniciou em 2007 o processo de pesquisa da linguagem das marionetes incluindo sua confecção e manipulação. O nome da companhia vem do francês bric à brac (conjunto de objetos de arte).

A essência de nossos trabalhos esta focada na anulação do ator, na ANIMA do boneco, na ritualização do processo de confecção de bonecos e ensaios, na pesquisa em antropologia, filosofia, psicologia e história do teatro de bonecos.

 Para enriquecimento do trabalho cultural sua equipe é composta por profissionais de diversas áreas: arte- educadores, pedagogos, professores, artistas plásticos e atores.

 Em 2009 a companhia foi premiada pelo Ministério da Cultura através do Prêmio Mirian Muniz, com o espetáculo "CONTOS DA FLORESTA", e pela Secretaria do Estado do Pará(SECULT).

  Assim como obteve aprovação das leis de incetivo na esfera municipal, Lei Tó Teixeira, estadual, Lei Semear e Federal com a Lei Rounet.

  Em 2010 fez sua estréia no IAP (Instituto de Artes do Pará) com o espetáculo "Contos da Floresta", com coquetel de lançamento e video-documentário da companhia.

  Em agosto do mesmo ano participou do festival estadual "Territórios de Teatro".

  Ainda em 2010 foi premiada pela FUNARTE uma segunda vez, agora com o espetáculo adulto "O LIVRO DA CRIAÇÃO" (ainda não realizado).

  Em setembro participou do "Encena Sesc", apresentando-se no SESC de castanhal.

 Em outubro iniciou temporada de seis dias no teatro Gasômetro pelo Edital de Pautas da SECULT.

 Ainda em outubro participamos da programação do círio da Estação das Docas e da Mostra Aldeia Sesc Círio, realizado pelo Sesc Pará.

 Em 2011 é premiada no edital de projetos culturais do Banco da Amazônia(BASA) e Prêmio Funarte Artes na Rua (Circo, Dança e Teatro) 2011 com o projeto “Teatro itinerante de Bonecos”.

 

Atualmente a companhia é composta pelos seguintes membros:

 

Direção: Francisco Leão

Titereiros: John Rente, Vanessa Teixeira Fernando Belucio e Murilo Lima

Iluminação: Sônia Lopes e Everton Figueiredo

Produção: Vanessa Teixeira

Coordenação do Projetos: Vanessa Teixeira

Pesquisa,textos, concepção de arte e confecção de bonecos: Francisco Leão 

Coordenação do Projetos: Vanessa Teixeira

Pesquisa,textos, concepção de arte e confecção de bonecos: Francisco Leão 

 

CONTATOS : (91) 81512770-32450728

E-MAIL : companhiabricbrac@hotmail.com

NET : ORKUT / FACEBOOK / YOUTUBE - Companhia Bricbrac

3 years ago

KLEIST : O PERCURSOR DO TEATRO DE BONECOS MODERNO

KLEIST : O PERCURSOR DO TEATRO DE BONECOS MODERNO

 

 HEINRICH VON KLEIST pode ser considerado o criador do teatro de boneco contemporâneo, pois se utilizando das marionetes como metáfora em diversas obras literárias, desenvolveu uma nova visão sobre o papel do teatro de bonecos e de outras artes na contemporaneidade, e com isso influenciou gerações depois dele, teóricos como Alfred Jarry, Edward Gordon Craig e Oskar Schelemmer.

Kleist nasceu em 18 de outubro de 1777, em Frankfurt, Alemanha. Descendente de uma linhagem de cinco generais Prussianos, cresceu em um ambiente de austeridade e disciplina. Jovem inquieto e atormentado, com 15 anos destinou-se a carreira militar que abdicou para estudar direito e matemática, mas que logo também abandonou para empreender várias viagens pela Europa. Apartir de 1803 começa a escrever dramas para opera. Suas obras “Kohlhaas” e “Marquesa de O”, são consideradas obras primas do romantismo.

 O gênio atormentado de Kleist transcendeu os limites da estética romântica vigente em sua época, e suas obras pronunciaram movimentos bem posteriores como o expressionismo e o existencialismo. Diz-nos Claude Gaudin(1), “ele desenha profeticamente os saberes e as disciplinas que contribuirão para nos dar a 'figura' do homem moderno”. O que Kleist pressente e anuncia é a grande mutação que conhecerá o teatro no final do século XIX princípios do século XX e, o exemplo do “maquinista” (ou no manipulador de marionetes) de que se serve, é já uma pré-figuração do encenador tal como o conheceremos 100 anos mais tarde. Seu Texto sobre a marionete é eminentemente literário, e embora não esteja incluído no conjunto da sua obra dramatúrgica, pode constituir-se como uma 'chave' para a sua compreensão, vai buscar, curiosamente, as suas referências à mecânica e à biologia, à história e à psicologia, à matemática e à teologia, o que acentua a sua singularidade."

Mesmo sendo cético, Kleist desenvolveu uma teoria espiritualista atípica, mais simbólica que religiosa . Ele via o homem como um ser “decaído” e incapaz de atingir um nível sublime, somente alcançado pelos animais e pelas marionetes, pois estes possuiriam  uma inocência não corrompida pela intervenção da racionalidade, eles possuiriam a harmonia perfeita entre essência, natureza e espírito.

Em 1818 ele sintetiza essas idéias no curto e enigmático texto “Sobre o Teatro de Marionetes”.

Este obra densa, de leituras múltiplas, abriria igualmente as portas a questões mais vastas uma vez que, por detrás da figura simbólica da marionete, se perfilaria a idéia do homem e da universalidade da sua humanidade.

Ele apresenta-se como um diálogo entre o autor e o “primeiro bailarino da Ópera da cidade”. Este diálogo não tem lugar nos bastidores da Ópera, mas sim no espaço público de um jardim ao ar livre parecendo, com isso, que Kleist quer criar um distanciamento em relação ao espaço fechado do Teatro. O diálogo gira em torno da superioridade das marionetes sobre os bailarinos de “carne e osso”. Poderia pensar-se que se trata apenas de um manifesto escrito para reabilitar o teatro de bonecos da epoca, dito menor – que havia sido proibido por exercer uma “má influência sobre a população – e voltar a dar-lhe a dignidade do modelo teatral. Esta visão é claramente simplista.

Neste texto Kleist coloca que o homem teria perdido, através do pecado original, sua inocência, sua harmonia com a criação divina, isso teria resultado num ser desequilibrado, incapaz de realizar ações graciosas, delicadas, concentradas e harmoniosas. Tudo isto - segundo Kleist – só seria possível a um homem “articulado”, de movimentos precisos, como uma maquina, ou marionete.

“Assim, a graça se estabelece quando o conhecimento passa, por assim dizer, por um infinito; de tal forma que ela surge de imediato (sem analise racional) em sua forma mais pura, naquela estrutura corporal humana que, ou não tem consciência alguma, ou possui uma consciência infinita, ou seja, na marionete ou em Deus.”- Kleist.

 

3 years ago

O HOMEM DE ARGILA - O BONECO COMO NOSSO ANCESTRAL MÍSTICO

O HOMEM DE ARGILA - O BONECO COMO NOSSO ANCESTRAL MÍSTICO

 

seg, 27 de outubro, 2003

 

Cientistas norte-americanos afirmam que o que reuniu as moléculas orgânicas da Terra primordial em uma única membrana, que levou à formação de um esboço de célula, pode ter sido uma fôrma de argila

Em 1985, o New York Times já anunciava os avanços na compreensão do papel do barro/argila nos processos que conduziram à vida na Terra:

"A argila possui a capacidade de armazenar e transmitir energia, duas propriedades básicas essenciais à vida. Portanto, os cientistas concluem que o barro poderia ter atuado como um "fator químico" para transformar matérias-primas inorgânicas em moléculas mais complexas."

O que nos leva a pensar que todas aquelas lendas sobre a criação do homem podem ter um GRANDE fundo de verdade:

O livro do Gênesis nos diz "Então Elohim modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente." Na tradição cabalística judaica há a figura do Golem, que é um ser  criado do barro para proteger a comunidade.

Os Onondagas contam a história da criação assim: o grande cacique das pradarias celestiais cansou-se de sua mulher e lançou-a às infinitas águas turvas. Ela pediu ajuda aos animais marinhos para que retirassem o barro do fundo do mar. O sol secou o barro e pôde instalar-se nele a Mulher celestial, ou a grande mãe Terra.

Os Maias concebem a criação em 13 etapas. Na primeira, Hunab Ku, o Deus uno, fez-se a si mesmo e criou o céu e a terra. Na décima terceira, tomou terra e água, misturou-os e desse modo foi moldado o primeiro homem.

Segundo a mitologia grega, o Titã Prometeu apanhou um bocado de argila e molhou com um pouco de água de um rio. Com essa matéria fez o homem, à semelhança dos deuses, para que fosse o senhor da Terra. Atena, deusa da sabedoria, insuflou naquela imagem de argila o espírito, o sopro divino.

No Egito um baixo-relevo em Deir el-Bahari e outro em Luxor apresentam o deus Cnum modelando sobre a roda de oleiro os corpos respectivamente da rainha Hatshepsout e do Faraó Amenofis III; as deusas colocavam sob o nariz de tais bonecos o sinal hieroglífico da vida (Ankh), para que a respirassem e se tornassem seres vivos.

Entre os Maoris da Nova Zelândia conta-se o seguinte episódio: um certo deus (conhecido pelos nomes de Tu, Tiki e Tané) tomou argila vermelha à margem de um rio, plasmou-a, misturando-lhe o seu próprio sangue, e dela fez uma cópia exata da Divindade; depois, animou-a soprando-lhe na boca e nas narinas; ela então nasceu para a vida e espirrou.

No texto sumério da criação, vemos que o primeiro homem (Adamu) foi criado a partir de uma porção de barro misturado ao sangue dos "Deuses". Após o sucesso do primeiro homem, foram criados mais 14 (sete homens e sete mulheres).

No poema babilônico de Gilgamesh conta-se que, para criar Enkidu, a deusa Aruru "plasmou argila". Na lenda assiro-babilônica de Ea e Atar-hasis, a deusa Miami, intencionando criar sete homens e sete mulheres, fez 14 blocos de argila; com estes, suas auxiliares plasmaram 14 corpos; a deusa rematou-os, imprimindo-lhes traços de indivíduos humanos e configurando-os à sua própria imagem.

Através de todos estes relatos fica evidente que os antigos, assim como os cientistas atuais, sabiam da relação entre essa substancia(barro/argila) e a origem da vida. Talvez no futuro novas descobertas possam desvendar essa estranha "coincidencia".

Francisco Leão

 

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